Dissenso Indica – Zola Jesus

Dez, 2010 by Glauco Felixphoto of 'Dissenso Indica - Zola Jesus'

★★★★★

Imaginasse que, Nika Rosa Danilova, aparerentemente de delicada palidez sem igual, fosse como muitas vocalistas femininas que tendem a vocais doces e músicas refinadas. Porém, não é exatamente o que parece  ocorrer com a Zola Jesus. Talvez, o amor sombrio e cativante de Danilova segue definitivamente como herdeira de muitos saudosos por melancolia e delicadeza. É claro, sempre na primeira audição confundiriam-na, com um eterno ícone feminino pós-punk, a Siouxsie. Ao contrário desta, é confusa, performática e sentimental. Difícil imaginar que, apenas 21 anos, ela já tenha uma formação musical como cantora de ópera. Mas, isso ajuda a explicar como desenvolveu uma tão voz poderosa.

O universo darkwave da Zola Jesus é absolutamente hipnotizante, como o período do album Black Celebration, da Depeche Mode. Fascinante, angustiante, não podemos dizer que a música de Zola Jesus respira a alegria de viver. Assim como o próprio nome por definição “quando estava no colégio, gostava muito de Émile Zola”, escritor francês do século 19 – idealizador do período naturalismo, “e Jesus, bem, por que não Jesus?”, ela explica. Zola Jesus tenta tornar o caos em algo profundamente espiritual, criada como uma espécie de mitologia pessoal.

Conclui que não queria começar a escrever sobre a Zola Jesus sem basear-se em referências o que tornaria algo muito comum para apresentar. Concordo que ter influências são interessantes, mas criamos um péssimo hábito em se referir há coisas já existentes. É evidente, que a cultura pop e os lances mais alternativos, isso acaba sendo muito comum. No fim, tudo é, sem dúvida, referência.
Discografia:
Albuns
(2009) New Amsterdam
(2009) The Spoils
(2011) Conatus
EP´s
(2009) Tsar Bomba
(2010) Stridulum
(2010) Valusia
Linques:
Sítio: http://zolajesus.com/
Anúncios

Eita! Parei mas nem tanto.

Na verdade, dei uma baita freiada no blog que me dá até um pouco de vergonha. Mas não é para tanto. Fiquei alguns meses estudando feito louco, só para não conseguir nada – evidentemente – na Fuvest. Em compensação, vi, li, ouvi muita coisa. Preciso realmente colocar isso tudo no blog, depois de ver o meu pai, o mais recentemente blogueiro da blogsfera, me deu conscientemente um puxão de orelha me fez mexer a bunda e escrever mais no blog. Incentivos e chacalhões começam assim mesmo. Enfim, vamos a luta camarada!

Seres Sencientes do Labirinto

Há semanas que fui conhecer o estúdio do pessoal da Labirinto. Juro que fiquei muito contente em acompanhar de perto o processo de criação e as gravações do novo trabalho da banda, ainda sem previsão de lançamento. Valeu a pena passar aquela tarde ensolarada de sexta-feira com estes seres fabulosos cheios de idéias explosivas, sonhos em comum. Uma jam session eletrônica interessante com o Joaquim, no qual bisbilhotavamos algumas texturas e elementos no vasto Live – puxa, até gravamos uma musiquinha; aliás, pô Joca, cadê a faixa, me manda por e-mail, camarada (risos). E depois se encharcar de empadinhas altamente veganas da Empadaria (recomendo boas empadinhas), ali bem ao lado da lojinha destes moços, a Dissenso. Espero não me distanciar tão cedo desta célula criativa sonora. Coisas que só me animam – ainda bem.

6 coisas que amo / 6 cose che amo

Um convite recebido hoje com muito carinho do camarada Zanin (http://360g.blogspot.com/) para jogar, ou meramente escrever, sobre seis coisas que amo. É apenas um jogo que não custa nada compartilhar com os bons amigos.

Seis coisas que amo:

un – Livros

deux – Cozinhar

trois – Música/além tocar, é claro

quatre – Filosofia (zen budismo diz muita coisa)

cinq – Cinèma

six – Quadrinhos

Os meus convites para jogar vão para:

Lídia

Marion

Georgia

Marpessa

Hebe

Camila C
As regras que os convidados devem seguir são simples:

-indicar os links de quem os convidou
-escrever o regulamento no próprio blog
-citar os 6 objetos do jogo
-envolver outras seis pessoas
-comunicar aos próximos 6 sortudos a nomination
___

Compartilhe: Sebastien Tellier – Sexuality

Uma excelente resenha sobre o novo trabalho de Sebastian Tellier escrita por Bernardo Krivochein do blogINDIE.

“Eu gostaria que minhas músicas fossem utilizadas em filmes pornô.” – Sebastien Tellier

Qualquer pornô gostaria de ter a sorte de poder contar com uma faixa – qualquer uma – de “Sexuality”, o novo álbum do francês Sebastien Tellier, em sua trilha. A Dança do Créu em francês é definitivamente mais gostosa: enquanto os ritmos americanos atuais apelam para uma sexualidade escancarada que torna sua óbvia indecência um tanto enfadonha, há algo de elaboradamente risqué no álbum de Tellier – ou seja, ainda se enquadrando dentro do aceitável, mas por muito pouco. Isto é “música de motel” sem a menor sombra de dúvida, como muitos artistas de adult contemporary music o são, mas ao contrário deles (Sade, Bryan Ferry, etc.), que tem sua arte associada a saliências de terceiros à sua revelia, Tellier faz uma música assumidamente tarada, feita exatamente com os devidos fins.

Qualquer um que trepar ao som de Tellier neste fim de semana (e se você baixar o álbum, saberá que te resta pouca escolha), vai trepar melhor, ou pelo menos com mais bom gosto. Após seu belíssimo “Politcs” (um álbum quase conceitual pelo tema único que o amarra, puxado pelo sucesso do hit “La Ritournelle”), em seu segundo álbum Tellier, praticamente no sentido inverso de seus eventuais parceiros de cama, consegue transcender as paredes de motéis com um trabalho de um pop irresistível e rebuscado, repleto de faixas paradoxalmente (ou nem tanto, se considerarmos o teor sexual da maioria dos sucessos atuais) radiofônicas ao seu conteúdo “proibido para menores”, prontas para grudar nos ouvidos. A produção a cargo de Guy Manuel de Homem-Christo, metade do duo Daft Punk, se faz notar especialmente se compararmos as semelhanças entre o som de Tellier e aquele do Le Knight Club (também produzido por Homem-Christo): “Sexuality” é impregnado pelo synth pop vintage e pela atmosfera erótica-robótica característica de seus trabalhos.

Trata-se de um álbum que muitos poderão acusar de enfadonho e previsível após certo tempo – afinal, todas suas faixas são estritamente sobre a mesma coisa: “aquilo” (e você não precisa falar uma palavra sequer de francês para entender o conteúdo das músicas: as batidas sedutoras e os gemidos femininos e masculinos deixam bastante claro o que é que os personagens das canções estão fazendo) – mas há algo de extremamente admirável na obstinação com que Tellier se debruça em cima do tema da sexualidade: o mesmo engajamento emprestado aos temas políticos em seu primeiro álbum é utilizado a favor do erótico, do sensual, em “Sexuality”. Engajamento tesudo. Por que o sexual não é enxergado como material de defesas tão apaixonadas quanto o esporte, a política, o social? E não digo a questão das “escolhas” sexuais – porque ninguém ao nascer assinalou opções de foda à la carte – mas do envolvimento físico e emocional com terceiros, que trata-se aliás do maior dos engajamentos que alguém terá em vida. Engajamento tornou-se um sinônimo contemporâneo de verborragia, tendo o carnal completamente alienado de seu significado por um bando de intelectuais frustrados. Tellier nos mostra como recuperá-lo. A capa – que já bastaria para eleger “Sexuality”como o álbum do ano – encapsula bastante da idéia de Tellier: corpos como territórios inóspitos, bucólicos até, amplos e dignos de desbravamento. Antes que possam acusá-lo de chauvinista desapegado apenas interessado em sexo, Tellier já deixa bem claro na primeira faixa do álbum, a excepcional “Roche”, que ele faz questão que a mulher esteja “amoureuse de Sebastien”. E se a perfuração por poços de petróleo nas coxas das mulheres é a expressão sexual a rigeur do funk e do hip-hop de maior sucesso atualmente, sexo apaixonado e intenso, nas próprias palavras de Tellier, “c’est ah! C’est ah!”

fonte: blogINDIE

Portishead – Third

Após muitos desdobramentos (sonoros) fica díficil imaginar a volta da Portishead em um recente albúm. A estranheza da primeira audição reflete demasiadamente a busca de novas idéias ou conceito – se é que possa definir assim. É extremamente complicado, inclusive, com o peso enorme de dois trabalhos anteriores. O terceiro enigmático disco requer de boas ouvidas (só desse modo se tornar profundamente maravilhoso), com músicas permeadas de canções sobre redenções, curas, arrependimentos, ascenções, nada de coisas alegres, tudo não muito longe da estética fiel a um clima cinematográfico, porém, desta vez não tão sensual mas completamente num tom conficional.

Portishead

Myspace

 

Os Outdoors Colorados

Por todos os cantos da cidade, outdoors traziam a celebre frase do herói escrachado Chapolim Colorado, até ai tudo bem sem muita novidade. Mas o que chamaria atenção seria o fato de que o singelo jargão cômico traria profundas reflexões pelo simples de estar completamente sozinha e sem constatar quem o anunciou.
Aí veriam as possíveis especulações e questionamentos sobre o pensamento. Em plena época de eleições, certamente boas intenções de conscientização de do voto, por um lado uma boa. Entretanto, não deixaria por concluída a idéia. O caso de estar por todo o município à frase ficaria muito ambíguo. No outdoor traria as cores vermelho e branco, incluindo o verde. Cores atualmente adotadas pela prefeitura de Osasco o que demonstra possíveis ações e mudanças que administração vem empenhando, veria como positivo, porém um pouco egocêntrico meio nietzschiano do memorável “Ecce Homo”. Ou ainda, seria uma resposta crítica ao desencanto das recentes políticas públicas, também seria uma grande idéia manifestar o consentimento? Até quem o diga que seria uma campanha de algum evangélico. Pois é, depois de passar semanas e observar fixamente da janela do ônibus todas as manhãs diante daquele enorme enigma para se desvendar o significado da tal propaganda e o seu porquê.
Depois de muita queimação de neurônios e centenas de marteladas filosóficas. Descobri que aquela simples citação de efeito do Chapolim era um anuncio de um motel da cidade que por fim comunicava aos seus clientes um festival de gastronomia mexicana. Pode uma coisa dessas! Indignado pela descoberta pensei, as intenções que eram cheias de noções políticas ficaram totalmente hedonistas, até faz um pouco de sentido. Contudo, nas premissas de “sigam-me os bons [prazeres]”, “sigam-me [as coisas boas da vida]”. Enfim , o que têm haver Chapolim com putaria é uma lógica meio absurda… É, dá nisso quem lê muito sobre semiótica e ganha por tabela uma profunda inquietação e frustração.