Evento gratuito reúne música e vídeo experimental

Promovido pela Dissenso, Barulho.org, Ibrasotope e Norópolis, 1# Dis Experimental acontece nos dias 5, 6, 12 e 13 de fevereiro e apresenta projetos de vanguarda nas áreas de imagem e som.

Nos dias 5, 6, 12 e 13 de Fevereiro, a partir das 17h, a Casa Dissenso promove o 1# Dis Experimental. Em parceria com Barulho.org, Ibrasotope, Norópolis e diversos artistas, este será o primeiro evento dedicado a música e vídeo reunindo oito projetos de destaque da cena experimental em dois fins de semana.

Além de apresentações musicais de N-1, -notyesus>, >interzona<, Panetone, National, F? R!, Duo Henrique Iwao-Mário Del Nunzio e Objeto Amarelo, o 1# Dis Experimental também contará com exibição de vídeos de vanguarda (de clássicos do grupo Fluxux e Duchamp a documentários sobre compositores contemporâneos e videos de bandas) selecionados por Agnaldo Mori (National), Paulo Beto (ZEROUM e Anvil FX), Guilherme Barrella (Peligro) e Márcio Black (Barulho.org), e com um debate sobre as perspectivas da cena experimental brasileira, no dia 12.Parte inferior do formulário

A entrada é franca. E é facultativa a doação de água e alimentos não perecíveis destinados a Cruz Vermelha, para assistência das vitimas de enchente no Estado do Rio de Janeiro.

1# Dis Experimental /// Programação

<span>/// Apresentação 1 (05/02) – 17h</span>

Seleção de vídeos experimentais: Agnaldo Mori (National)

N-1

(www.n-1.art.br)

Duo formado por Alexandre Fenerich e Giuliano Obici explora performances audiovisuais, criando peças para ver-ouvir, improvisando com vitrolas, flautas, violão-relê, percussão, bateria eletrônica, laptop, tecladinhos baratos modificados, instrumentos eletrônicos caseiros, caixinhas de música, latas amplificadas, brinquedos e gadjets diversos.

-notyesus>

(www.myspace.com/notyesus)

A música eletrônica extrema de Rafael Sarpa e J.-P. Caron surge do gosto por aspectos sonoros limite, e trabalha o impacto corporal de sonoridades intensas e imersivas na expansão da percepção temporal.

>interzona<

Egressos da cena experimental paulistana dos anos 80, músicos das bandas Akira S & As Garotas que Erraram, Voluntários da Pátria e Violeta de Outono se reúnem para revisitar seu repertório (e de seus artistas preferidos) com novos arranjos, dialogando com estéticas atuais como o pós-rock e o improviso contemporâneo.

<span>/// Apresentação 2 (06/02) – 17h</span>

Seleção de vídeos experimentais: Paulo Beto (ZEROUM e Anvil FX)

Pan&tone

(www.panetone.net | www.myspace.com/panetone)

Um dos principais expoentes brasileiros da música produzida com técnicas de Circuit Bending, o músico Cristiano Rosa recicla dispositivos eletrônicos em busca de uma sonoridade única e livre.

National

(http://duonational.wordpress.com )

Cercados por sintetizadores, osciladores e filtros analógicos e digitais, Agnaldo Mori e Glauco Felix conduzem uma envolvente e agressiva sinfonia, repleta de desconstruções rítmicas e tonais, capaz de surpreender até os mais entusiastas do experimentalismo extremo.

<span>/// Apresentação 3 (12/02) – 17h</span>

Seleção de vídeos experimentais: Guilherme Barrella (Peligro)

F? R!

(www.soundcloud.com/gnoise)

Barulhos delicados produzidos pelo artista Felipe Ribeiro que, inspirado pela filosofia da dança Butoh, procura captar através de sons a essência livre da expressão humana.

Debate sobre a cena experimental com os participantes do projeto #1 Dis Experimental

<span>/// Apresentação 4 (13/02) – 17h</span>

Seleção de vídeos experimentais: Márcio Black (Barulho.org)

Duo Henrique Iwao-Mário Del Nunzio

(henriqueiwao.blogspot.com/2010/07/duo-henrique-iwao-mario-del-nunzio.html)

Henrique Iwao e Mário Del Nunzio perseguem novos modos de se lidar com a eletrônica ao vivo, por meio de configurações pouco habituais, e com a performance envolvida na atuação musical. Já se apresentaram em diversos festivais e são os fundadores e diretores do núcelo de música experimental Ibrasotope.

Objeto Amarelo

(www.myspace.com/objetoamarelo)

Nos experimentalismos sonoros do músico e artista plástico Carlos Issa, o caos é a única constante, numa atmosfera construída com elementos de punk rock, breakbeat, noise, microfonias e ruídos claustrofóbicos.

Sobre a Casa Dissenso:

Localizada em um sobrado na rua dos Pinheiros, a Casa Dissenso é sede do selo e distribuidora do mesmo nome, responsável pelo recente lançamento de Anatema, álbum de estréia da banda Labirinto, e também abriga uma loja especializada em discos, DVDs, pôsteres, toy art, camisetas e outros produtos de artistas alternativos de todo o mundo. Eventualmente, abre seu andar superior para eventos dedicados a arte independente e oferece ao público uma diversa carta de cervejas a preços honestos. Horário de Funcionamento da loja: segunda à sábado das 11h às 19h (até 1h nos dias de evento).

1# Dis Experimental  @ Casa Dissenso

Dias 5, 6, 12 e 13 de fevereiro, a partir das 17h

Casa Dissenso: Rua dos Pinheiros, 747 – Pinheiros – São Paulo, SP

Telefone: (11) 2364-7774

Capacidade nos eventos: 80 pessoas

Censura: 18 anos (nos eventos)

Anúncios

Dissenso Indica – Zola Jesus

Dez, 2010 by Glauco Felixphoto of 'Dissenso Indica - Zola Jesus'

★★★★★

Imaginasse que, Nika Rosa Danilova, aparerentemente de delicada palidez sem igual, fosse como muitas vocalistas femininas que tendem a vocais doces e músicas refinadas. Porém, não é exatamente o que parece  ocorrer com a Zola Jesus. Talvez, o amor sombrio e cativante de Danilova segue definitivamente como herdeira de muitos saudosos por melancolia e delicadeza. É claro, sempre na primeira audição confundiriam-na, com um eterno ícone feminino pós-punk, a Siouxsie. Ao contrário desta, é confusa, performática e sentimental. Difícil imaginar que, apenas 21 anos, ela já tenha uma formação musical como cantora de ópera. Mas, isso ajuda a explicar como desenvolveu uma tão voz poderosa.

O universo darkwave da Zola Jesus é absolutamente hipnotizante, como o período do album Black Celebration, da Depeche Mode. Fascinante, angustiante, não podemos dizer que a música de Zola Jesus respira a alegria de viver. Assim como o próprio nome por definição “quando estava no colégio, gostava muito de Émile Zola”, escritor francês do século 19 – idealizador do período naturalismo, “e Jesus, bem, por que não Jesus?”, ela explica. Zola Jesus tenta tornar o caos em algo profundamente espiritual, criada como uma espécie de mitologia pessoal.

Conclui que não queria começar a escrever sobre a Zola Jesus sem basear-se em referências o que tornaria algo muito comum para apresentar. Concordo que ter influências são interessantes, mas criamos um péssimo hábito em se referir há coisas já existentes. É evidente, que a cultura pop e os lances mais alternativos, isso acaba sendo muito comum. No fim, tudo é, sem dúvida, referência.
Discografia:
Albuns
(2009) New Amsterdam
(2009) The Spoils
(2011) Conatus
EP´s
(2009) Tsar Bomba
(2010) Stridulum
(2010) Valusia
Linques:
Sítio: http://zolajesus.com/

Seres Sencientes do Labirinto

Há semanas que fui conhecer o estúdio do pessoal da Labirinto. Juro que fiquei muito contente em acompanhar de perto o processo de criação e as gravações do novo trabalho da banda, ainda sem previsão de lançamento. Valeu a pena passar aquela tarde ensolarada de sexta-feira com estes seres fabulosos cheios de idéias explosivas, sonhos em comum. Uma jam session eletrônica interessante com o Joaquim, no qual bisbilhotavamos algumas texturas e elementos no vasto Live – puxa, até gravamos uma musiquinha; aliás, pô Joca, cadê a faixa, me manda por e-mail, camarada (risos). E depois se encharcar de empadinhas altamente veganas da Empadaria (recomendo boas empadinhas), ali bem ao lado da lojinha destes moços, a Dissenso. Espero não me distanciar tão cedo desta célula criativa sonora. Coisas que só me animam – ainda bem.

Compartilhe: Sebastien Tellier – Sexuality

Uma excelente resenha sobre o novo trabalho de Sebastian Tellier escrita por Bernardo Krivochein do blogINDIE.

“Eu gostaria que minhas músicas fossem utilizadas em filmes pornô.” – Sebastien Tellier

Qualquer pornô gostaria de ter a sorte de poder contar com uma faixa – qualquer uma – de “Sexuality”, o novo álbum do francês Sebastien Tellier, em sua trilha. A Dança do Créu em francês é definitivamente mais gostosa: enquanto os ritmos americanos atuais apelam para uma sexualidade escancarada que torna sua óbvia indecência um tanto enfadonha, há algo de elaboradamente risqué no álbum de Tellier – ou seja, ainda se enquadrando dentro do aceitável, mas por muito pouco. Isto é “música de motel” sem a menor sombra de dúvida, como muitos artistas de adult contemporary music o são, mas ao contrário deles (Sade, Bryan Ferry, etc.), que tem sua arte associada a saliências de terceiros à sua revelia, Tellier faz uma música assumidamente tarada, feita exatamente com os devidos fins.

Qualquer um que trepar ao som de Tellier neste fim de semana (e se você baixar o álbum, saberá que te resta pouca escolha), vai trepar melhor, ou pelo menos com mais bom gosto. Após seu belíssimo “Politcs” (um álbum quase conceitual pelo tema único que o amarra, puxado pelo sucesso do hit “La Ritournelle”), em seu segundo álbum Tellier, praticamente no sentido inverso de seus eventuais parceiros de cama, consegue transcender as paredes de motéis com um trabalho de um pop irresistível e rebuscado, repleto de faixas paradoxalmente (ou nem tanto, se considerarmos o teor sexual da maioria dos sucessos atuais) radiofônicas ao seu conteúdo “proibido para menores”, prontas para grudar nos ouvidos. A produção a cargo de Guy Manuel de Homem-Christo, metade do duo Daft Punk, se faz notar especialmente se compararmos as semelhanças entre o som de Tellier e aquele do Le Knight Club (também produzido por Homem-Christo): “Sexuality” é impregnado pelo synth pop vintage e pela atmosfera erótica-robótica característica de seus trabalhos.

Trata-se de um álbum que muitos poderão acusar de enfadonho e previsível após certo tempo – afinal, todas suas faixas são estritamente sobre a mesma coisa: “aquilo” (e você não precisa falar uma palavra sequer de francês para entender o conteúdo das músicas: as batidas sedutoras e os gemidos femininos e masculinos deixam bastante claro o que é que os personagens das canções estão fazendo) – mas há algo de extremamente admirável na obstinação com que Tellier se debruça em cima do tema da sexualidade: o mesmo engajamento emprestado aos temas políticos em seu primeiro álbum é utilizado a favor do erótico, do sensual, em “Sexuality”. Engajamento tesudo. Por que o sexual não é enxergado como material de defesas tão apaixonadas quanto o esporte, a política, o social? E não digo a questão das “escolhas” sexuais – porque ninguém ao nascer assinalou opções de foda à la carte – mas do envolvimento físico e emocional com terceiros, que trata-se aliás do maior dos engajamentos que alguém terá em vida. Engajamento tornou-se um sinônimo contemporâneo de verborragia, tendo o carnal completamente alienado de seu significado por um bando de intelectuais frustrados. Tellier nos mostra como recuperá-lo. A capa – que já bastaria para eleger “Sexuality”como o álbum do ano – encapsula bastante da idéia de Tellier: corpos como territórios inóspitos, bucólicos até, amplos e dignos de desbravamento. Antes que possam acusá-lo de chauvinista desapegado apenas interessado em sexo, Tellier já deixa bem claro na primeira faixa do álbum, a excepcional “Roche”, que ele faz questão que a mulher esteja “amoureuse de Sebastien”. E se a perfuração por poços de petróleo nas coxas das mulheres é a expressão sexual a rigeur do funk e do hip-hop de maior sucesso atualmente, sexo apaixonado e intenso, nas próprias palavras de Tellier, “c’est ah! C’est ah!”

fonte: blogINDIE