Compartilhe: Sebastien Tellier – Sexuality

Uma excelente resenha sobre o novo trabalho de Sebastian Tellier escrita por Bernardo Krivochein do blogINDIE.

“Eu gostaria que minhas músicas fossem utilizadas em filmes pornô.” – Sebastien Tellier

Qualquer pornô gostaria de ter a sorte de poder contar com uma faixa – qualquer uma – de “Sexuality”, o novo álbum do francês Sebastien Tellier, em sua trilha. A Dança do Créu em francês é definitivamente mais gostosa: enquanto os ritmos americanos atuais apelam para uma sexualidade escancarada que torna sua óbvia indecência um tanto enfadonha, há algo de elaboradamente risqué no álbum de Tellier – ou seja, ainda se enquadrando dentro do aceitável, mas por muito pouco. Isto é “música de motel” sem a menor sombra de dúvida, como muitos artistas de adult contemporary music o são, mas ao contrário deles (Sade, Bryan Ferry, etc.), que tem sua arte associada a saliências de terceiros à sua revelia, Tellier faz uma música assumidamente tarada, feita exatamente com os devidos fins.

Qualquer um que trepar ao som de Tellier neste fim de semana (e se você baixar o álbum, saberá que te resta pouca escolha), vai trepar melhor, ou pelo menos com mais bom gosto. Após seu belíssimo “Politcs” (um álbum quase conceitual pelo tema único que o amarra, puxado pelo sucesso do hit “La Ritournelle”), em seu segundo álbum Tellier, praticamente no sentido inverso de seus eventuais parceiros de cama, consegue transcender as paredes de motéis com um trabalho de um pop irresistível e rebuscado, repleto de faixas paradoxalmente (ou nem tanto, se considerarmos o teor sexual da maioria dos sucessos atuais) radiofônicas ao seu conteúdo “proibido para menores”, prontas para grudar nos ouvidos. A produção a cargo de Guy Manuel de Homem-Christo, metade do duo Daft Punk, se faz notar especialmente se compararmos as semelhanças entre o som de Tellier e aquele do Le Knight Club (também produzido por Homem-Christo): “Sexuality” é impregnado pelo synth pop vintage e pela atmosfera erótica-robótica característica de seus trabalhos.

Trata-se de um álbum que muitos poderão acusar de enfadonho e previsível após certo tempo – afinal, todas suas faixas são estritamente sobre a mesma coisa: “aquilo” (e você não precisa falar uma palavra sequer de francês para entender o conteúdo das músicas: as batidas sedutoras e os gemidos femininos e masculinos deixam bastante claro o que é que os personagens das canções estão fazendo) – mas há algo de extremamente admirável na obstinação com que Tellier se debruça em cima do tema da sexualidade: o mesmo engajamento emprestado aos temas políticos em seu primeiro álbum é utilizado a favor do erótico, do sensual, em “Sexuality”. Engajamento tesudo. Por que o sexual não é enxergado como material de defesas tão apaixonadas quanto o esporte, a política, o social? E não digo a questão das “escolhas” sexuais – porque ninguém ao nascer assinalou opções de foda à la carte – mas do envolvimento físico e emocional com terceiros, que trata-se aliás do maior dos engajamentos que alguém terá em vida. Engajamento tornou-se um sinônimo contemporâneo de verborragia, tendo o carnal completamente alienado de seu significado por um bando de intelectuais frustrados. Tellier nos mostra como recuperá-lo. A capa – que já bastaria para eleger “Sexuality”como o álbum do ano – encapsula bastante da idéia de Tellier: corpos como territórios inóspitos, bucólicos até, amplos e dignos de desbravamento. Antes que possam acusá-lo de chauvinista desapegado apenas interessado em sexo, Tellier já deixa bem claro na primeira faixa do álbum, a excepcional “Roche”, que ele faz questão que a mulher esteja “amoureuse de Sebastien”. E se a perfuração por poços de petróleo nas coxas das mulheres é a expressão sexual a rigeur do funk e do hip-hop de maior sucesso atualmente, sexo apaixonado e intenso, nas próprias palavras de Tellier, “c’est ah! C’est ah!”

fonte: blogINDIE

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