Festival É Tudo Verdade 2006

Em três anos venho acompanhando o festival é tudo verdade, por um simples motivo pensar em produzir um documentário. Pena que a idéia que tinha para desenvolver nunca saiu do papel – a minha conclusão de curso de jornalismo seria um filme sobre a filosofia clínica um tema muito polêmico entre os acadêmicos sobre a finalidade da aplicação de filosofia como terapia – um assunto fascinante. Bem… Quem sabe um dia possa realiza-lo.

Durante esse tempo vi filmes bem interessantes, narrativas diferentes mudaram com certeza a minha prespectiva de olhar. Neste ano não foi diferente, forma praticamente treze filmes assistidos – o engraçado é que muitos de meus amigos ficam espantados pela quantidade de documentários vistos, outros nem tanto. Enfim, tudo muito corrido, cansaço quer ter ver alguns filmes na qual os horários não davam e também minhas condições físicas não deixava. Creio que terei que colocar em prática procedimentos semannas antes toda vez que se iniciar a mostra: fazer muita ginástica física ou cerebral – além de beber bastantes isotônicos, barrinhas de ceriais, sim claro sempre bem vindas. A princípio não irei relatar aqui todos os que assisti, mas alguns documentários gostei, vamos aos filmes:

Sara Rastegar

L´AmiAmigo, de Sara Rastegar (2005)
Linda e graciosa. A iraniana Sara Rastegar (foto) se esforçava ao máximo com seu português, espanhol com um sotaque francês para um pequeno debate ao público que assistiu a exibição do seu primeiro documentário. Em "Amigo" relata uma crônica de um encontro de Sara com um velho pastor que vive sozinho entre as montanhas do Irã. Uma linguagem meio ficcional lembrando muito a simplicidade de Kiarostami – aliás mestre em explorar com sutileza essa confusão entre a realidade e a ficção. O que chama atenção é a extrema curiosidade entre a personagem principal e de quem estava filmando. Mesmo com a baixa qualidade de recursos e a própria diretora não ter nenuhm vinculo com produções de filmes o que prevalece é a sua autencidade com o fato.Lembro de uma bela frase de Abbas, " fazer coisas simples exige uma boa dose de experiência" coisa que Sara conseguiu fazer.

Die Grosse StilleO Grande Silêncio, de Philip Groening (2005)

"O Amado vedou a palavra ao seu Amigo e o Amigo consolava-se na visão do seu Amado"
O Livro do Amigo e do Amado, de Ramon Lull

 

Quando assisti, "Die Groose Stille", me fez lembrar muito dos trechos do "O Livro de Amigo e do Amado", de Ramon Lull, nele o eremita Blanquerma dedica uma obra litéria de grande afeto e compaixão a seu amado num sentido místico, divino e plena quietude de alcançar a felicidade.
"O Grande Silêncio" é foi vencedor da competição internacional deste ano, documentário de grande sucesso nos cinemas alemães. Após quase 16 anos de espera pela primeira vez uma equipe tem a autorização de acompanhar o cotidiano do mosteiro da Ordem Cartusiana. O monastério não tem luz elétrica, e a escuridão só é quebrada pelas velas. No meio da noite, os monges se reúnem vestidos em grossas túnicas para recitar versos gregorianos. Sem música, sem entrevistas, sem comentários. Profundamente é um filme que impressiona, talvez o pensamento de Lull acima possa resumir tudo sobre o que é o grande silêncio.

I For India
I de India, de Sandhya Suri (2005)
Uma crônica peculiar sobre os 40 anos após a imigração de indianos na Inglaterra – relatada de uma forma muito bonita e interessante atravês de cartas de familiares e filmes amadores do pai da documentarista.

China BlueChina Blue, de Micha Peled (2005)
No ano passado foi exibido um documentário tratando do mesmo tema, mas só que enfoques totalmente diferentes. Em "A Decent FactoryUma Fábrica Decente", de Thomas Balmès, acompanha uma cometiva de representantes da empresa finlandesa Nokia a uma das fábricas chinesas de componentes para celulares. Lá é visto explicitamente as condições de trabalhos, morais, éticas péssimas. Já em "China Blue" é um relato do coitidiano cansativo de Jasmim – recém chegada do interior da china – escreve em seu diário sobre os abusos de trabalho numa fábrica de jeans e reflexões profundas de uma vida melhor.

Street FightBriga de Rua, de Marshall Curry (2005)
Ganhador de melhor documentário no Oscar deste ano. Briga de Rua, acompanha a tragetória de uma disputa eleitoral (2002) para a prefeitura de Nova Jersey entre Cry booker e o veterano autoritário prefeito Sharpe James – no cargo há 16 anos. Nele a mentira é o que prevalece numa disputa de poder. Com certeza é um dos documentários da mostra deste ano que me fez refletir bastante sobre as condições politícas na qual nos encontramos recentemente e gera duvídas e desconfianças em relação aos fatos expostos e denúnciados pela imprensa brasileira. Politíca plenamente é algo muito universal na questão dos interesses alheios.

3 comentários sobre “Festival É Tudo Verdade 2006

  1. fogo, que inveja (boa). :-)) desconhecia este festival. o primeiro e o segundo filme de que falas ,fogo, …fiquei com vontade de ver. a verdade aqui (oporto city) é que não há festivais de filmes.

  2. Quem pode ajudar: Onde consigo obter o DVD do filme O Grande Silêncio!?!? De preferência com legendas em português.
    Obrigado!

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